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O relógio de sol de Pirassununga

O uruguaio nascido em Montevidéu, Felix Carbajal, foi quem projetou e executou, há 33 anos, o relógio de sol da praça central de Pirassununga.  O quadrante solar desperta a atenção de todos, especialmente das crianças que ficam intrigadas quando descobrem que as sombras refletidas em suas paredes indicam as horas com exatidão.

O professor Felix Carbajal, que faleceu aos 100 anos, andou pelo mundo construindo relógios de sol. O nosso foi projetado e construído em 1984, na gestão do prefeito Fausto Victorelli que tinha Euberto Nemézio Pereira de Godoy, o Budigô, como vice.

Parar deixar a marca de Pirassununga em sua obra, por sugestão da professora Lourdes Conceição Guelli Victorelli – então primeira dama do município – Cabarjal estilizou um peixe na parte superior do relógio.

Durante sua estadia na Terra Curimbatá, conheceu e ficou amigo do biólogo e pesquisador, Manoel Pereira de Godoy, com quem se inteirou sobre aspectos importantes relacionados à história do município.

QUEM FOI FELIX CARBAJAL?

Era um sábio. Tinha uma formação invejável e não gostava de falar de si mesmo.

Filho único do maestro Felix Peyrallo, da Orquestra Sinfônica de Montevidéu, Felix Carbajal perdeu a mãe no próprio parto. Foi criado por empregados até a morte do pai. Contava na época com 17 anos e estava concluindo o segundo grau. Foi quando resolveu vender tudo o que herdara para sair pelo mundo.

Em 1929, matriculou-se na Universidade de Madri, onde licenciou-se em letras neolatinas. Em 1936 ingressou na Sorbonne, Paris, para fazer doutorado em História da Idade Média. Lá permaneceu até a ocupação alemã.

Nos Estados Unidos, na Universidade Stanford, fez mestrado em Filosofia das Ciências.

Aluno de Jean Piaget, fez um ciclo de amigos ilustres, como Garcia Lorca, Pablo Neruda, Manuel Bandeira, Ernest Hemingway, Salvador Dali. Oswald de Andrade, Celso Furtado, entre outros.

“CONSIDERO-ME UM PEREGRINO FELIZ”

Felix Carbajal não tinha moradia fixa. Falava fluentemente espanhol e francês e lia em mais outros cinco idiomas: latim, grego, inglês, italiano e alemão. “Sou um andarilho”, dizia. Não tinha endereço, nunca havia trabalhado e não tinha renda fixa. “Considero-me um peregrino feliz que vive o presente”, dizia.

Ao finalizar o projeto que desenvolveu para a praça Conselheiro Antonio Prado, Carbajal confeccionou a maquete do relógio de sol para apresentá-la ao prefeito Fausto Victorelli, que de imediato aprovou.

Do início ao fim, contou com o apoio de dedicados funcionários da prefeitura, entre eles, o construtor Gervásio Rosolém, Antonio Pinheiro, das ferragens, e o marceneiro Antonio Firmino.

Nas escolas, promoveu palestras aos estudantes, explicando como e quando surgiram os quadrantes solares, o primeiro instrumento astronômico construído pelo homem, entre outros temas. Prendia a atenção de todos.

COMO AJUSTAR O RELÓGIO DE SOL PARA O HORÁRIO DE VERÃO?

Para adiantar em uma hora o “ponteiro” (sombra) do seu precioso equipamento, Felix preparou uma espécie de “sarrafo acoplável”, para ser afixado sobre a coluna vertical frontal do relógio (o ponteiro), em sua parte mais alta, com cerca de 5 cm de espessura, que definia com precisão a posição da sombra que se projetava sobre o mostrador.

Encerrado o horário de verão, basta retirar o “sarrafo” que está tudo resolvido.

HISTÓRICO DE SERVIÇOS PRESTADOS PELO MUNDO

Felix Carbajal calculou mais de 500 relógios e foi mestre-de-obras na construção de cerca de 200 deles espalhados pelo Brasil e por diversos países latino-americanos.

Em suas andanças percorreu mais de 64 países e 28 colônias.

Quando aqui esteve, a Prefeitura de Pirassununga arcou com as despesas de sua estadia. Felix Carbajal não teria cobrado qualquer quantia da municipalidade para deixar de presente sua obra na praça central de Pirassununga.

Roberto Bragagnollo

 

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