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Memória da Cachaça de Pirassununga: Onde estaria o “tesouro” dos Batistela perdido há mais de 60 anos na Fazenda Combate?

Nos anos de 1950, na fazenda Combate, região rural de Pirassununga, produtores rurais que também produziam cachaça de qualidade, decidiram enterrar ao lado de uma lagoa ali existente um barril de carvalho contendo 150 litros da bebida, que era ali produzida num pequeno alambique da família Batistela.

A ideia era resgatá-la anos depois para apreciar e avaliar o sabor da pinga envelhecida.  Debaixo da terra, como ficaria aquela bebida anos depois?  Na época não se tinha notícia de que algo parecido havia sido feito em Pirassununga.

Pois bem. Durante aquele período, chuvas intermitentes se abateram sobre o município, especialmente naquela região, a ponto de fazer transbordar a lagoa da Fazenda Combate,  inundando a área onde o barril estava enterrado.  E claro, a “reserva especial” lá estava muito bem protegida, acreditavam.

Depois de vários anos, os amigos decidiram trazer para a superfície o barril de cachaça para, enfim, poder degustá-la. Com água na boca, não viam a hora de saborear a pinga.  Marcada a data, o grupo se reuniu e se posicionou no local exato onde o barril havia sido colocado.

Ansiosos, iniciaram confiantes as escavações. Surpreendentemente, nada, absolutamente nada, encontraram no ponto demarcado. Mas como? Não era possível aquilo! Apenas eles e algumas poucas pessoas sabiam daquele propósito. Injuriados, abriram vários buracos, mas todas as tentativas foram frustradas.

Recuperar aqueles 150 litros de pinga envelhecida – “que deveria ter virado uísque”, diziam – passou a ser um desafio e tanto para aquele grupo. Segundo o produtor rural e proprietário do alambique, Antonio Batistela, de saudosa memória, “chegamos até a sonhar com o local onde o barril deveria estar”.  No dia seguinte, todos lá estavam: escavavam aqui e ali,  mais pra lá e mais pra cá, novas e seguidas tentativas, e nada de encontrar a tão cobiçada pinga.

De lá para cá, inúmeras foram as investidas no sentido de recuperá-lo. “A enchente deve ter deslocado o barril para outro lugar”, supõe o produtor rural Fausto Aparecido Batistela.

Há mais de 60 anos, o “tesouro” dos Batistela continua desaparecido.  São histórias interessantes e  enriquecedoras como essa, ligadas à tradição da cachaça que deu fama à Pirassununga dentro e fora do país, que precisam ser preservadas.

Isso é história. É a Memória da Cachaça de Pirassununga.  A oralidade, transmitida de pai para filho, deve ser registada e difundida para as atuais e futuras gerações.

Roberto Bragagnollo

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