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Lendas Tupis-Guaranis: Patrimônio imaterial da nossa cultura

Muitos são os municípios cujas origens estão ligadas a presença indígena.

Entretanto, quando todos deveriam se orgulhar dessa condição, muitos se recusam a reconhecer e assumir essa gênese, tentando ocultar ou dissimular um legado tão rico deixado pelos seus ancestrais.

Em Pirassununga, segundo o historiador Manuel Pereira de Godoy, as lendas Tupis-Guaranis herdadas pelos primeiros povoadores passaram de boca em boca. Algumas foram deturpadas, outras ampliadas ou diminuídas nos seus conteúdos através de gerações.

Em Cachoeira de Emas, os antigos pescadores contavam aos seus filhos, netos e tataranetos as histórias que também ouviram de seus antepassados.

Ali, em 1993, no espaço do Ecomuseu “Prof. Manuel Pereira de Godoy”, onde funcionava a antiga usina hidrelétrica, os artistas Mauro dos Santos, Carlos Eduardo Zornoff, Gilmar Bezerra e Milton Santos criaram e executaram belíssimos afrescos retratando as lendas Tupis-Guaranis.

Lenda da Origem do Rio Mogi

Lenda Tupi-Guarani da Origem do rio Mogi, do artista Mauro dos SantosHá muito tempo um chefe guerreiro se enamorara de suas formosas índias.  O regime monogâmico tribal o impedia de se casar com as duas e ele não sabia qual decisão tomar…

Até que numa noite ele teve um sonho: deveria propor um torneio de flechas entre as duas amadas. Aquela que melhor acertasse no alvo seria a esposa do guerreiro. Na manhã seguinte contou o sonho as amadas e o torneio foi aceito por ambas.

Toda a aldeia se reuniu para assistir a disputa.

Quem perdeu foi a índia Obirici, aquela que mais amava o índio guerreiro.  Assim perdendo o seu amor, Obirici refugiou-se  na mata e pediu a “Monã”, deus supremo, que lhe desse a maior dor. Pela primeira vez entre os índios essa dor veio em forma de lágrimas.

E Obirici chorou dias e noites seguidos. As lágrimas banharam o seu corpo, correram pelos seus pés e formaram um pequeno riacho, que deu origem ao rio Mogi-Guaçu. Mas Obirici continuou chorando… Naquele êxtase de dor, “Monã” veio buscá-la.  Porem, Obirici quis ficar nesta Terra, perto dos seus.

E o seu corpo, inteirinho, esticado no chão, se transformou numa montanha – a “maan tiquira” (coisa que verte) – a Serra da Mantiqueira, que continua a chorar formando as vertentes que correm para Minas Gerais e São Paulo.

Este afresco – a “Origem do rio Mogi-Guaçu” -, criado pelo artista pirassununguense Mauro dos Santos, está afixado na parede interna do do Ecomuseu “Professor Manuel Pereira de Godoy”, em Cachoeira de Emas.

Lenda da Origem das Estrelas

Há muito tempo o velho Pajé sentiu que a morte queria levá-lo para a Terra do Trovão, onde havia muita caça, frutos e formosas índias. Trovão morava em campos, onde o sol e a lua passavam todos os dias.

No firmamento, em sua aldeia, havia apenas o sol e a lua. Não havia estrelas. Durante a lua nova, nas noites escuras, os índios ficavam medrosos e tristes. Havia lamentos dos índios e dos animais. Foi na época da lua nova que o velho Pajé deixou esta Terra, para ir morar na Terra do Trovão.

Como desejava caminhar por uma estrada cheia de luzes após sua morte e dissipar o medo dos índios nas noites de lua nova, o velho Pajé, nos seus últimos instantes, numa noite escura, levantou-se de sua rede e dirigiu-se a um pântano próximo, onde havia milhares de vagalumes.

Apanhou-os um por um e os atirou ao céu, onde ficaram “pregados” para sempre, formando as estrelas.  A partir daquele dia, as noites do mundo ficaram mais iluminadas com o cintilar das estrelas, sobretudo por ocasião da lua nova.

Este afresco – a “Origem das Estrelas” -, criado pelo artista Gilmar Bezerra, está afixado numa das paredes s do Ecomuseu “Professor Manuel Pereira de Godoy”, em Cachoeira de Emas.

Lenda da Boitatá

Segundo a lenda, a Boitatá, a “Cobra de Fogo”, costumava aparecer em Cachoeira de Emas no lugar conhecido como “funil”, e no poço fundo, abaixo da ponte. Tinha a forma de um grande animal peludo e com cauda.

O pescador Moises Tangerino, numa noite de pescaria, viu a luz da Boitatá que subia o rio até chegar no poço fundo. O mesmo ocorreu com Juca Emerenciano. O pescador, por duas vezes, viu a luz da Boitatá. Ficou com tanto medo que jogou a tarrafa água abaixo e saiu desembestado do rio. Segundo os antigos, a aparição da Boitatá ocorria quando as piracanjubas apareciam.

Este afresco – a “Lenda da Boitatá” -, criado pelo artista Milton Santos, está afixado no Ecomuseu “Professor Manuel Pereira de Godoy”, em Cachoeira de Emas.

Lenda da Boiúna

Lenda Tupi-Guarani da Boiúna, do artista Carlos Eduardo ZornoffA Boiúna era uma enorme “Cobra Preta”.  Ela aparecia entre o “funil” e a Cachoeira. Como um peixe, tinha o corpo revestido de escamas..

Costumava perseguir os dourados.

Quando uma delas dava sinal, ouvia-se um estrondo surdo no fundo do rio e um ronco de luta entre ela e os dourados, que fugiam aterrorizados pelos canais da “topava”.

A lendária Boiúna também atacava as canoas e costumava aparecer sempre no mês de agosto para assustar os pescadores.

Este afresco – a “Lenda da Boiúna” -, criado pelo artista Carlos Eduardo Zornoff, está afixado na parede interna do do Ecomuseu “Professor Manuel Pereira de Godoy”, em Cachoeira de Emas.

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