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A porção de “Peixe a Passarinho” nasceu em Cachoeira de Emas?

Garçons, cozinheiros e pescadores mais antigos contam que a versão original do Peixe a Passarinho, um dos tira-gostos mais apreciados em todos os lugares, teria surgido há algumas décadas em Cachoeira de Emas.

CONHEÇA A HISTÓRIA

Certa manhã, quando dois garçons, à paisana, preparavam o “salão” para abrir o restaurante, um grupo de turistas ali chegou com o desejo ardente de saborear a tão famosa peixada de Cachoeira de Emas, da qual tanto ouviam falar em São Paulo.

Os garçons tentaram justificar a impossibilidade daquele pedido ser atendido, uma vez que as cozinheiras só chegariam mais tarde ao local.  Tudo em vão.

Mas como estavam de passagem e tinham certa pressa, alguém do grupo sugeriu algo mais prático e rápido para não saírem dali, de “mãos abanando”, com o estomago vazio.

Diante da insistência, os garçons foram até a cozinha verificar o que havia para atender aqueles clientes. Tudo o que encontraram foram alguns pedaços de peixes fritos, que tinham sobrado da noite anterior. Nada mais. E o que fazer, então?

Para não levar aos clientes os peixes naquele estado – frios e com aspecto de ontem -, tiveram a ideia de cortá-los em pequenos pedaços e colocá-los de volta à frigideira, envoltos em farinha, para uma “segunda fritada”, dando nova cara àquela “iguaria” improvisada. Feito o jogo!

Quando a porção chegou à mesa, mais do que rápido, todos avançaram no prato. Os elogios foram tantos, que queriam repetir da dose. Os garçons não acreditavam naquilo que estavam vendo e ouvindo.

Porém, não havia mais sobras de peixes da noite anterior na cozinha. Enfim, todos saíram satisfeitos, com a promessa de retornar para saborear a peixada.

O TESTE E A REPERCUSSÃO

Logo que as cozinheiras chegaram, os garçons contaram “louros” da improvisação que haviam feito naquela manhã para atender aos turistas. Curiosas, decidiram fazer e testar o “novo prato” junto aos clientes, utilizando-se, daquela vez, pedacinhos de peixes fritos na hora.

Todos aprovaram a novidade, que logo depois fora incorporada ao cardápio: a porção de pedacinhos de peixes fritos, que lembrava a porção de “Frango à Passarinho”.

SUCESSOR DA PIQUIRA

A porção do Peixe a Passarinho foi a sucessora da porção de Piquira, que eram os lambarizinhos pegos em peneiras.

Depois de lavados e envoltos em farinha de trigo, os peixinhos eram fritos e servidos em porções em Cachoeira de Emas. As novas gerações não conheceram essa maravilha.

Piquira, é uma palavra de origem Tupi-Guarani, que significa “pequeno, de pele tenra”. O desaparecimento dos cardumes de lambarizinhos do rio tirou de vez essa delícia dos cardápios.

MESA PAULISTA – COMER E BEBER JUNTOS

Na publicação “A Mesa Paulista – Comer e Beber Juntos”, da Abaçaí Cultura e Arte, voltada para o Patrimônio da Cultura Imaterial do Estado de São Paulo, o sociólogo, pesquisador e produtor cultural Toninho Macedo, destaca a piquira como prato tradicional ligado à história de Cachoeira de Emas.

O objetivo da entidade é oferecer subsídios para a formulação de políticas públicas de salvaguarda e valorização dos saberes e modos de fazer das tradições paulistas.

DO FRANGO AO PEIXE A PASSARINHO

Se na história gastronômica de Pirassununga o Frango a Passarinho foi uma das marcas de sucesso do Restaurante Rosim, que atraia turistas de diversas localidades para saborear aquele delicioso e insuperável prato, o Peixe a Passarinho de Cachoeira de Emas também passou a ser uma referência regional, transformando-se num dos pratos mais apreciados e, depois, copiado em todos os lugares.

 

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